sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Por Carol Szabadkai: Casamento e Liberdade

O modelo de família vem mudando através dos tempos, as mulheres adquiriram direitos e também mais obrigações, com liberdade temos mais responsabilidades e isso se aplica em todos os casos, não é um fato negativo se soubermos adaptar o modo de vida.

Coloquei-me a pensar sobre a estrutura familiar e pensei no casamento de antigamente e o de hoje. Com certeza hoje em dia existe mais divórcio, mas será que o número de casamentos ruins de antigamente corresponde ao número de divórcios de hoje em dia?


Fico pensando: antigamente o casal se conhecia, conversava umas vezes (no tempo da minha avó não tinha essa de ficar se beijando, sem falar em ir pra cama) e se os encontros continuassem, logo vinha um pedido de casamento, pois com o fator “toque de pele” restrito, se você gostava, queria logo arrumar tudo para poder chegar aos “finalmentes”, não é mesmo? Os casais, imagino eu, passavam por momentos difíceis, desentendimentos e tudo o que passamos por hoje também, mas, por não ter a opção do “desisto”, arrumavam. E quanto casal velhinho e apaixonado conhecemos? Eu conheço muitos! Claro, imagino que teve um ou outro em que foi desvantagem permanecer junto, mas o número de casamentos felizes, superando todos os obstáculos, me parece maior. Deixando claro que isso tudo é a minha reflexão sobre o tema, sem base em pesquisas.

Analisemos o que vemos hoje em dia. As pessoas se conhecem, fazem um “test drive”, experimentando todas as coisas que o casamento pode oferecer, inclusive como seria morar junto, algumas vezes, namoram por anos e anos, casam e depois se separam. Por que a separação se já é sabido tudo sobre a pessoa antes? Não há muitos casos de surpresa, imagino... Fiquei filosofado aqui, se não seria a opção de desistir que é fácil demais. Temos um problema e duas soluções: trabalhar duro nele, talvez por um bom tempo, ou simplesmente deixa-lo pra lá e tentar outro. 

Agora vendo um pouquinho do meu casamento, minha história. Nós tivemos dificuldades, não no casamento, mas no namoro. Eu do Brasil, ele da Hungria. Eu sem emprego, acabando de terminar uma faculdade, ele ainda no último ano de colegial, dois dependentes dos pais. Quilômetros de distância, pouca comunicação (não existia Skype, era ICQ e telefone era caríssimo), meses de separação, mas resolvemos enfrentar, escolhemos vencer as dificuldades. Talvez isso tenha sido um efeito, pra nós, como uma crise vencida. Depois de passado os obstáculos, jamais deixamos nada nos atrapalhar, foi sofrimento demais para deixar que qualquer outro fator nos vença dali pra frente. E é depois dessa luta toda que aprendemos o valor de estarmos juntos. Hoje, somos transparentes um com o outro, enfrentamos tudo juntos e se temos problemas, não deixamos para resolver no dia seguinte, arrumamos o mais rápido possível. Não é que não temos brigas, apenas vamos até o ponto de consertar! 

Voltando aos relacionamentos, em geral, penso que falta para muitos casais a vontade de lutar por aquilo que escolheu, assumir responsabilidade, mesmo tendo a liberdade de escolher não faze-lo. Claro, existem motivos e motivos. Não quero dizer que ninguém deve se divorciar, porque existem casos em que é necessário, hoje podemos arrumar aqueles casamentos de antigamente que eram uma prisão, temos a vantagem da liberdade para isso. Mas não seria legal se juntássemos o bom do antigamente com o útil do hoje? Casais que se amam, lutando para ficar juntos, superando uma crise e arrumando para subir à um nível de melhor compreensão e convivência; e os que realmente não deveriam ficar juntos, arrumando sua vida em liberdade.

Temos liberdade, podemos escolher e as escolhas nem sempre são como imaginamos, existem pedras no caminho. Se você para pra pensar, até mesmo os contos de fada sempre apresentam muita luta antes de um final feliz. Sim, é preciso lutar para o “felizes para sempre”, as vezes temos que insistir um pouco, mas nada melhor que o depois, a parte que já nem contam nas histórias, um dia a dia construído sobre uma vitória. 

São os obstáculos que tornam as histórias apaixonantes.

Beijos,

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