domingo, 13 de agosto de 2017

CASACOR Minas Gerais: em momento histórico, 23ª edição faz elo entre passado, presente e futuro.

Em sua 23ª edição, a CasaCor Minas Gerais rompe mais um desafio. Fruto de muito trabalho e de uma obra gigantesca, a mostra ocupa, em 2017, uma edificação histórica, cuja origem remonta do início do século 20. O casarão, parte do acervo imóvel da extinta Rede Ferroviária Federal, a RFFSA, teve seus espaços recuperados sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN/MG) e ressignificados por um time de profissionais e empresas que, durante os últimos meses, foram envolvidos pela mesma paixão: dar visibilidade e mostrar uma construção histórica em todo o seu potencial. 


Com o tema “Foco no Essencial”, a CasaCor Minas buscou novas conexões para oferecer uma mostra interativa, em que a novidade está por toda parte. Está, por exemplo, no modelo radical do Guaja Sapucaí, um convite à intervenção do público e na proposta de manter um Makerspace, espaço que se abre a trabalhos e experiências colaborativas. E está também no Ginger Bar, que traduz uma tendência europeia para apresentar não só o primeiro bar de gim da cidade, mas o primeiro a oferecer o gim da casa, com uma inédita destilaria funcionando dentro dele. 

Está, por fim, no universo que agrega os lançamentos mais importantes do setor da arquitetura, design e tecnologia de ponta. O trabalho apresentado nesta edição é assinado por profissionais que, imersos no conceito de recuperação de um imóvel histórico e na sua conexão a uma linguagem contemporânea, fazem parte de um time de altíssimo quilate. 

Comece agora a explorar um pouco da CasaCor Minas: 

Áreas externas: Tanto a Varanda de Entrada como a Bilheteria, projeto de Thales Lucchesi, Marcelo Martins e Ana Paula Pereira, vencedores da maratona ARCHATHON já anunciam a novidade e convidam o visitante a conhecer os demais ambientes. Baseado no Form Follows Function, princípio do design funcionalista segundo o qual a forma deve seguir a função, esses ambientes foram projetados para instruir o fluxo dos visitantes de maneira intuitiva. A disposição e o material do mobiliário na área externa e a posição do balcão na parte interna definem fluxos e permanências, bem como o faz o caminho de luz no teto, que cria uma conexão com a varanda, de forma orgânica e moderna. Utilizando tubulares de led, ele segue o desenho da luminária externa art decó, acervo tombado do prédio e vai se desconstruindo à medida que adentra o casarão. 

Quem assina o Jardim do Ginger Bar são as paisagistas Carla e Marina Pimentel, que tiveram, como grande desafio, desenhar um jardim em patrimônio tombado e, assim, tiveram que adequá-lo às limitações e regras do IPHAN. Mesmo sem poder lançar mão de recursos ornamentais como fontes, esculturas ou espelhos d’água e tendo que se limitar à perspectiva de 80cm de altura, ele é encantador. Um trabalho sensível, com diferentes composições de cores, texturas, formas e aromas. O diferencial luxuoso, são os canteiros de flores e folhagens, que ganharam a companhia de plantas frutíferas como a laranja Kinkan e  ervas aromáticas como manjericão e Lavanda. 

Por dentro do casarão: O Hall Galeria, de Flávia Generoso e Luiza Ananias é um espaço de transição, também pensado como uma área de permanência interativa. Uma intervenção cenográfica oferece uma nova percepção do ambiente - um cômodo estreito e com pé direito bem alto. Isso é possível com o posicionamento do espelho na parede, criando uma expansão horizontal e um jogo reflexivo dos elementos geométricos existentes. Cria, também, uma relação quase fotográfica com o espectador em época de selfies. 

O Hall Central, na verdade, três halls centrais, que se comunicam através da bela escada em jacarandá – eixo vertical do casarão – foram criados por Lena Pinheiro e receberam uma linguagem concisa, reunindo elementos que se identificam com a construção histórica. O primeiro deles, no térreo, localizado logo após a bilheteria, é porta de entrada para os demais ambientes. Aí, o visitante faz seu primeiro contato com “janelas” que evidenciam parte dos afrescos – que contam um pouco a história do casarão – e que começam a ser restaurados. Já o hall do segundo andar é antecedido por um painel gráfico que cobre a parede da escadaria, em clima de street art. Nele, um elemento forte é o sofá arredondado com estampa floral colorida. 

Para a Sala Central, Dodora Gontijo pensou em um espaço exclusivo, que sabe usar da verticalidade do ambiente com proporções bem elaboradas. Nas paredes, obras de arte se alinham ao luxo da tapeçaria Aubousson e do espelho exclusivo, assinado por Jader Almeida que brinca com as imagens. Sofás modernos, um enorme e charmoso pendente, uma árvore de 4m de altura e ainda o trabalho em meia parede com textura metalizada fazem desse ambiente único. 

O projeto da Livraria (que, inclusive vai funcionar a todo vapor na CasaCor Varanda é assinado por Camila Ferreira e une toques de modernidade ao respeito pela arquitetura existente: paredes e forro de madeira original foram cobertos com o tom folha seca. Desenhadas pela arquiteta, as estantes tem estrutura em cavalete preto e fundo em tom ferrugem. Estrategicamente colocado no centro da livraria, um tapete com estampa tem, sobre ele, um jogo de mesas redondas em três alturas, desenho da arquiteta. Próximo a uma das janelas, foi pensado um estar, com sofá curvo para acomodar quem deseja aproveitar sua permanência para folhear um livro. 

Em contraponto ao mundo cyber, mas sem abrir mão das novidades tecnológicas, a Cozinha de Quintal, de Ana Paula Rohlfs foi buscar inspiração nas fazendas antigas. O ambiente tem painel feito com chapas de sucata de aço fazendo a transição entre cozinha, pomar e horta. Revisitado, o “fogão a lenha” teve suas trempes fixadas no Neolith, mesmo material que reveste o bloco central, que passa ideia de um bloco maciço de pedra. Uma torre/armário embute a geladeira na própria porta do móvel, em laminado na cor concreto. 


Pensando em unir beleza e funcionalidade, Cássio Gontijo projetou o Loft com o estar integrado à cozinha, e a suíte máster integrada ao banho. Junto à divisória que separa as duas áreas, uma escultura de quase três metros de altura de Franz Krajcberg. No conjunto, uma mistura que une referências que são nossas, a outras italianas e a outras ainda, de outros países da Europa. O resultado é uma miscelânea harmoniosa, real e, ao mesmo tempo, cenário, que explora os tons de cinza, preto, off white e toques de verde e bordô. 

Para quem não  tem só o trabalho como foco, o Home Office assinado por Cláudia Martins é um ambiente que oferece outras possibilidades.  Uma estante vazada funciona como divisória de dois momentos: o da entrada, com móveis contemporâneos, TV e adega e, o segundo, com bancada de trabalho em gofrato. 

Imagine um Escritório de Imprensa diferente e divertido. Inspirado na jornalista Natália Dornelas, foi assim que Pedro Lázaro projetou esse ambiente, com teto e janelas originais enfatizados pelo tom off white. Destaque para a pintura das paredes em dois níveis, fazendo releitura de época com o vibrante azul carbono e o verde- piscina. Um lounge e uma redação dividem o espaço, pontuado por expressivas obras de arte e pela poesia dos móveis do estúdio Nendo.  Pedro Lázaro também assina o espaço Institucional  Arcelor Mital, que tem como base a economia circular. O conceito permeia desde a escolha do material, que permite o reuso do objeto arquitetônico, passa pela forma, pela escolha dos móveis e pela curadoria das obras de arte aqui presentes. Está tudo entrelaçado. Embora sejam ambientes situados em local de trabalho, o aspecto casa humaniza, propõe momentos reais, de acordo com os princípios da empresa em que está inserido. 

O Guaja Sapucaí, projeto de Lucas Durães, Sarah Kubistchek, Pedro Haruf, Gabriel Nardelli e Marcos Franchini é um espaço temporário pensado para abrigar a programação cultural da CasaCor Minas e, ao mesmo tempo, se abre a trabalhos e experiências colaborativas. Ao invés de um projeto de arquitetura, foi imaginado um processo não determinista, que dilui a autoria de sua concepção com mais de 100 profissionais e estudantes dos campos de arquitetura e design. Destaque aqui para a Iluminação Cênica do Guaja Sapucaí, assinada por Pedro Pederneiras. A ideia é a de que a luz atue da forma mais simples possível, iluminando o que precisa de luz, como as mesas, os balanços e a região do palco. Iluminar é sempre experimentar. O resto é penumbra. 

A base do projeto do Restaurante e Lounge, de Bernardo Farkasvolgyi vem de cima: o teto foi todo coberto de tear. São mais de 800 fios, num percurso que, em linha reta, daria 10,3km. O espaço recebeu tom neutro e manteve esquadrias de portas e janelas originais. Já o Estúdio Gourmet, projeto de Maurício Bomfim, apresenta living com pegada industrial, com portas revestidas por carpaccio de pedra natural e bancada em porcelanato no tom ferrugem. Destaque para a mesa de mármore em formato orgânico. Há também a Sala de Vinhos assinada por Camile Guedes, onde tanto o desenho do mobiliário, como sua disposição e também a escolha dos materiais utilizados tem total conexão. O conforto visual e tátil chama o visitante a sentar, experimentar e vivenciar o momento. 


Na Cozinha Funcional de Gabriela Azeredo e Patrícia Pires, a inspiração vem do conceito slow living. Nela há algo que muita gente já sonhou em ter na sua própria cozinha: um sofá. Aliás, dois, bem confortáveis e uma TV que pode ser vista de todos os ângulos. No alto, uma prateleira abriga vários objetos, plantas e livros, pensada como proposta supercharmosa, zero luxo. 

Imagine uma varanda com elementos rútisticos e muito verde. É assim que Droysen Tomich, Marcelo Serafim e Octávio Davis pensaram a Varanda Green, que contempla tanto o relaxamento quanto o convívio, unindo a simplicidade ao essencial de morar bem. Nela, lâminas de d'água escorrem da parede revestida de placas cimentícias em 3D, jardins verticais contracenam com o piso feito em minério de ferro. A paleta de cores vai do cinza ao azul, amarelo e aço corten. 

Por fim, o ambiente Caminhos Transformados, assinado por Isabela Vecci. O objetivo, aqui, foi dar visibilidade ao sistema de logística integrada da holding VLI, que interliga ferrovias, terminais e portos das principais regiões brasileiras. Utilizando uma linguagem moderna e simpática, o ambiente é escuro, propício à projeção de vídeo, e nele foi instalada uma mesa de formato sinuoso, que percorre a sala em L e funciona como tela para receber uma animação com imagens, infográficos e textos.

Serviço:
Casa Cor Minas Gerais
De 12 de agosto a 17 de setembro de 2017
Endereço: Rua Sapucaí, 383– Floresta- Belo Horizonte
Horário de funcionamento: de terça à sexta de 15h às 22h/ Sábados, de 13h às 22h e  aos domingos e feriados de 13h às 19h.
Informações: www.casacor.abril.com.br
Vendas na bilheteria da Casa Cor Minas ou pelo site http://www.blueticket.com.br

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